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delimitado pela Av. Rio de Janeiro, Av. São Paulo, R. Pará e Tv. Padre Bernardo Greiss

Bosque Mal. Cândido Rondon

Como um grande olho verde no centro de Londrina, o Bosque é hoje uma marca quase apagada do tempo em que aqui existiam matas.

1960

Doada ao município pela Companhia de Terras do Norte do Paraná, em 1931, a área de cerca de 20.000 m² era uma reserva que atestava aos compradores de lote a fertilidade da região, mas ao longo das décadas foi perdendo seu principal atrativo: as árvores originais, que agora só existem nos velhos cartões postais ou nos jornais e livros de história que falam de perobas centenárias, palmeiras e uma simbólica figueira-branca que durante anos existiu no local.

Em 1953, o espaço foi urbanizado pelo prefeito Milton de Menezes, que batizouo-o como Bosque Marechal Cândido Rondon.

Ao longo dos anos foram instalados um viveiro de animais, um pequeno lago e uma fonte, banheiros, bancos, um

parque infantil e até uma cancha esportiva. Enquanto a urbanidade se instalava no único reduto verde da cidade, o bosque ia perdendo sua principal característica: a de referência da vegetação nativa.

Mas foi em 1967 que o espaço sofreu sua transformação mais profunda, quando a prefeitura cede sua área central para servir como terminal de ônibus urbanos. Assim, no início dos anos 70, na gestão do prefeito Dalton Paranaguá, árvores centenárias foram derrubadas para permitir a implantação do terminal de passageiros, que funcionou por 21 anos. O fluxo intenso de pessoas, a fumaça dos coletivos e o lixo deixado no local desfiguraram o antigo cartão-postal da cidade.

Em 1988 foi construído um novo terminal de ônibus na via Leste-Oeste e o terminal do bosque foi desativado. Neste mesmo ano, os arquitetos, incentivados por um concurso da prefeitura, fizeram planos para resgatar suas características de área de lazer e importância histórica. Boas propostas não faltaram, mas foram deixadas de lado por conta de problemas administrativos, falta de recursos e boa vontade pública. Depois disso, o bosque ainda seria transformado pelo prefeito Antônio Belinati num triste ponto de venda de quinquilharias e carros usados, conhecido como “Pedra”.

Em 1991, foram iniciadas obras de reforma no local e a feira de carros usados foi retirada de lá. Uma lista com mais de 3 mil assinaturas, recolhidas entre moradores de edifícios residenciais e comerciais do centro da cidade, na Catedral, Biblioteca Pública, Igreja Metodista e Colégio Mãe de Deus, entre outros locais, pedia a revitalização do bosque pela Prefeitura, em convênio com a Universidade Estadual de Londrina, Associação Amigos do Bosque e Conselho Municipal de Cultura.

Em setembro de 1991, finalmente houve motivo para comemoração. Cedendo às pressões, a Prefeitura entregou à população uma área de lazer parcialmente redesenhada com mobiliário, equipamentos para ginástica e pista de caminhada. A área foi chamada popularmente de “Zerinho”, numa referência ao Zerão. O pioneiro George Craig Smith, ex-integrante da Companhia de Terras, compareceu à festa de reabertura do local. Em entrevista à imprensa, pedia ao povo que tivesse consciência da necessidade de preservação. Foram plantadas mil árvores na ocasião.

Em novembro de 2011 a integridade do Bosque é novamente colocada em risco. No início daquele mês, todo o mobiliário foi retirado do local, e na manhã do dia 11 de novembro, máquinas da prefeitura retiram quase a totalidade das árvores do Zerinho, deixando a área de lazer completamente desfigurada.

Sem qualquer consulta à população, o prefeito Barbosa Neto, planejara reabrir a rua Piauí ao tráfego de carros. Tal atitude provocou reação de parte da população, que no mesmo dia organizou-se num movimento batizado de “Ocupa Londrina”, inspirado no movimento “Ocuppy Wall Street” de Nova Iorque. O movimento recebe apoio jurídico da Ong MAE (Meio Ambiente Equilibrado) e inicia uma árdua batalha em defesa do bosque sem rua e revitalizado para usufruto da população. Através de uma ação civil pública, em 16 de novembro conseguem a paralisação das obras pelo IAP.

Finalmente, em 12 de junho, a Ong MAE anuncia – e comemora – o encerramento do caso Bosque Mal. Cândido Rondon. A Justiça de Londrina determina que o local não pode ser aberto por uma rua, de acordo com o impedimento do Código Ambiental de Londrina -  Lei 11.471, que define o espaço como APP (Área de Preservação Ambiental) e proíbe o trânsito de veículos.

Agora, a Ong MAE e o Movimento Ocupa Londrina iniciam uma campanha para que o dinheiro, antes a ser aplicado na abertura da rua, seja integralmente investido na revitalização do Bosque, com mais limpeza, novos bancos, lixeiras, mobiliário urbano, áreas de lazer e câmeras de segurança interligadas com a Guarda Municipal.

 

FONTE:

ABRAMO, Maria A.; MUSILLI, Célia. Londrina puxa o fio da memória. Joinville: Letradágua, 2004.

http://www.ongmae.org.br/noticias-interna.aspx?id=96. Acessado em 18/09/2012.