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Rua Maestro Egídio C. do Amaral - Praça 1º de Maio

Concha Acústica

Construída na década de 50, no auge da modernização de Londrina, a Concha é considerada uma das obras mais queridas pela população. Em 2003, uma pesquisa coordenada pelo arq. Humberto Yamaki apontou o espaço como um patrimônio afetivo, lembrado por toda a cidade.

Construída na administração do Pref. Antônio Fernandes Sobrinho, o projeto do arquiteto Henrique Mindlin foi executado pelo engenheiro José Augusto Queiroz. A construção foi inspirada numa obra que o prefeito viu no Espírito Santo. Muitas cidades estavam construindo anfiteatros abertos, o que sinalizavam, junto com a modernidade, uma iniciativa para incrementar a cultura.

Nesse tempo, as tradicionais praças com chafariz entraram em declínio, por isso a praça 1º de Maio, onde está a Concha, era uma novidade. Uma parte dos tijolos foi doada pelo alfaiate Lauro Dutra que, por muitos anos, decorou sua loja com um presépio que a cidade visitava na época do Natal. Criativo, ele chegou a montar uma fábrica de tijolos que não progrediu, mas doou as peças para a construção da praça 1º de Maio.

Inaugurada em 1º de maio de 1957, a praça ocupou o local onde estava a antiga estação rodoviária. Em pouco tempo, a Concha se transformaria num espaço de referencia para os encontros populares, concentrando manifestações políticas e artísticas, servindo como ponto de encontro da juventude.

Nos anos 70, estudantes ocuparam o local para protestar contra a ditadura militar junto com outros manifestantes da esquerda. Nesse tempo, os festivais de teatro e música já sacudiam Londrina, onde fervilhavam ideias.

Com poucas atividades, nos anos 80, o espaço entrou em decadência. A Concha foi ocupada por menores, mendigos, prostitutas e traficantes. Moradores dos prédios da região fizeram um abaixo-assinado pedindo a demolição da praça, como se fosse possível varrer as misérias urbanas.

No final dos anos 90, a Concha Acústica serviu de palco para uma curiosa intervenção artística. Ali foi criada uma réplica da Praça de São Pedro, com o intuito de arrecadar assinaturas para reivindicar a visita do papa João Paulo II. Ele veio ao Brasil em 1997, mas Londrina não teve a honra de recebê-lo. Enquanto os católicos se mobilizavam, os jovens da periferia também começavam a freqüentar a Concha para ouvir rap e dançar break nas tardes de sábado.

Em 2001, a Secretaria de Cultura retoma oficialmente a praça como centro irradiador de atividades artísticas. Foi desenvolvido o projeto Sexta na Concha, com apresentações culturais nos finais de tarde das sextas-feiras.

A escala monumental que na época lhe foi outorgada acabou sendo sufocada pelos prédios vizinhos, de muito maior escala, mas ainda resiste como praça das mais movimentadas, com a população aproveitando seu espaço.