Localização:
Rua Sergipe, 602

Edifício Tókio

Projeto: engº. civil Harro Olavo Muelle
Execução: Mueller, Caron & Cia. Ltda. (Curitiba)
Data: 1958/60
 

O Edifício Tókio é reconhecido pelos londrinenses como um dos símbolos da verticalização e também da imigração japonesa em Londrina, contribuindo para a preservação da memória das famílias nipônicas e seus descendentes, que escolheram a zona urbana para viverem e desenvolverem-se na prestação de serviço e no comércio.

Longe de ser um caso isolado, o Tókio faz parte de um intenso e precoce processo de verticalização ocorrido em Londrina durante a década de 60, com o intuito de atestar a modernidade e a riqueza da cidade. Concluído parcialmente em 1958, com 14 pavimentos, o Tókio era o terceiro mais alto edifício de Londrina, ficando atrás apenas do Edifício Bosque (18 pavimentos) e das três torres do Centro Comercial (22 pavimentos cada uma). Igual a ele, apenas o Edifício Sul Brasileiro, construído em 1952. Posteriormente vieram o Ed. América (14 pavimentos) e o Ed. Alvorada (15 pavimentos).

Pela localização estratégica – próxima às Estações Rodoviária e Ferroviária – o programa de necessidades original previa um empreendimento de uso misto, com salas comerciais e um hotel. Ao longo da sua construção, o projeto foi sendo modificado, de modo que, ao ser concluído, destinava-se a salas comerciais (do térreo ao 3º andar), apartamentos residenciais (do 4º ao 10º andar) e hotel (11º ao 13º andar). Por volta de 1996, o hotel foi desativado, dando lugar a habitações residenciais.

Seus 14 pavimentos formam um volume prismático regular, sóbrio e livre de elementos supérfluos. As aberturas obedecem a um ritmo constante, com todas as esquadrias alinhadas, sem qualquer ornamento, inclusive nos nichos horizontais que rasgam as fachadas sul e oeste e abrigam as sacadas. Sua arquitetura enxuta revela que a questão funcional estava acima da questão estética, sendo o edifício produto de uma lógica de mercado onde o objetivo era extrair do projeto o máximo de unidades, fossem elas comerciais, quartos de hotel ou apartamentos (SUZUKI, 2011), atendendo, portanto, aos preceitos modernistas de economia, limpeza e utilidade.

A estreita relação entre a obra e o entorno foi um dos prováveis fatores para o sucesso do empreendimento, já que sua implantação aconteceu em uma via de vocação fortemente comercial – Rua Sergipe – e ao mesmo tempo próximo às portas de entrada da cidade – as Estações Ferroviária e Rodoviária. Inclusive, o letreiro luminoso do Tókio Palace Hotel era exibido no alto do edifício, na sua face Oeste, voltada diretamente para a Estação Rodoviária.

fonte:

CASARIL, Carlos Casemiro. Formação sócio-espacial de Londrina-PR e seu processo precoce de verticalização urbana. Revista Discente Expressões Geográficas, nº 07, ano VII, p. 32 – 53. Florianópolis, junho de 2011. Disponível em http://www.geograficas.cfh.ufsc.br/arquivo/ed07/n07_art02.pdf. Acessado em 06/10/2011.

ICZUCA, Toshio. Colônia japonesa no início de Londrina. Disponível em http://www.paranashimbun.com.br/Cadernos/cronicas-nikkei/1991-colonia-japonesa-no-inicio-de-londrina. Acessado em 06/10/2011.

PEDRIALI, José Antônio. Sete décadas: Sergipe, desde sempre o comércio. Disponível em http://www.acil.com.br/jornal/109/7/9. Acessado em 05/10/2011.

SUZUKI, Juliana. Idealizações de modernidade: Arquitetura dos edifícios verticais em Londrina, 1949-4969. Londrina: Kan, 2011.

Depoimentos:

Hermes Alves da Silva. Porteiro do Edifício Tókio há 20 anos. Depoimento à Camila Silva de Oliveira em Londrina, 30 de novembro de 2011.

Ubirajara Alexandrino. Morador e síndico do Edifício Tókio há 24 anos. Depoimento à Camila Silva de Oliveira em Londrina, 30 de novembro de 2011.