Localização:
Rua Sergipe, nº 640
Contato:
(43) 3337-6238

Museu de Arte de Londrina – MAL (Antiga Estação Rodoviária)

O Edifício

Autores: arq. João B. Vilanova Artigas e arq. Carlos Cascaldi
Execução: engº. Rubens Cascaldi

No início dos anos 50, a modernidade foi implantada no centro de Londrina. O atual Museu de Arte foi construído especialmente para abrigar a quarta rodoviária da cidade, sendo o primeiro edifício público construído sobre os preceitos da arquitetura moderna no Paraná. Bem verdade que o projeto causou certa estranheza à população, afinal, a cidade mal saíra do tempo das construções de madeira e já alcançava a era do concreto armado e das linhas audaciosas.

A então Estação Rodoviária foi inaugurada em 1952 pelo prefeito Milton Ribeiro de Menezes, mas sua construção iniciou-se e 1948. O projeto foi encomendado pelo prefeito Hugo Cabral através do seu Secretário de Obras e Viação, o engº Rubens Cascaldi, que então contratou seu irmão, o arquiteto Carlos Cascaldi, juntamente com o arquiteto Vilanova Artigas.

A demora para a conclusão da obra deu-se pela dificuldade na execução da sua estrutura em concreto armado, uma técnica construtiva arrojada, que atribui plasticidade e leveza à brutalidade do concreto, mas que exigia mão de obra especializada, algo também escasso na época.

O edifício foi cuidadosamente implantado para valorizar as vistas: a face sul – Rua Sergipe – revelava a cidade em emergência e a face norte – Praça Rocha Pombo – contemplava as grandes plantações de café. Aliás, este foi um dos motivos para que a praça fosse tombada juntamente com o edifício.

A antiga rodoviária é composta por um volume principal em forma de trapézio e uma sucessão de sete abóbadas (arcos) que compunham a garagem dos ônibus. No volume principal – ou corpo – havia um restaurante, escritórios, lojas diversas, os guichês e os sanitários. Equilibrando a composição, os arquitetos adotaram a sucessão de sete abóbodas delgadas, sob as quais ficavam as plataformas de embarque de desembarque de passageiros.

A entrada principal ainda hoje ocorre através de uma marquise localizada Rua Sergipe. A circulação para os diversos níveis se dá por uma série de rampas. As amplas superfícies de vidro, as formas incrivelmente esbeltas e o dinamismo das linhas oblíquas além de garantirem a leveza da obra – uma de suas características principais – também fizeram muitos duvidarem da estabilidade da construção.

Ao observarmos a relação entre o edifício e a Londrina dos anos 50, fica evidente a preocupação dos arquitetos em não agredir o seu entorno com proporções ou volumetria exageradas. Desta maneira, para o contexto da cidade naquela época, a Estação Rodoviária era monumental, não por sua escala e proporções, mas por ser um elemento orientador e organizador do espaço que a circunda. A obra se tornou referência no exterior como um dos marcos da arquitetura brasileira, motivo pelo qual foi incluída no Livro do Tombo do Patrimônio Histórico e Artístico do Paraná em 08 de dezembro de 1974 – juntamente com a Praça Rocha Pombo.

O Museu

A antiga rodoviária foi desativada em 1988 e no final de 1989 passou por uma grande reforma, patrocinada pela AFUVIGAR – Associação dos Funcionários da Viação Garcia e com a coordenação dos arquitetos Antônio Carlos Zani e Jorge Marão, professores da Universidade Estadual de Londrina. Assim o edifício recebeu a função de Museu de Arte.

A inauguração do Museu, orgão filiado à Secretaria Municipal de Cultura, aconteceu em 12 de Maio de 1993 e teve como principal atração a escultura “A Eterna Primavera”, de Auguste Rodin. Ainda ficaram expostas obras de Menotti Del Picchia (Cabeça de Sancho Pança e Dom Quixote), Victor Brecheret e ainda uma instalação de Yiftah Peled. Artistas locais também exibiram suas obras: as esculturas “A Intenção de Cérbero”, de Laércio Redondo, “Monumento e Identidade”, de Yoshiya Nakaga-Wara, “Vida”, de Lucia Nolasco, e “Halos”, de Bira Senatore.

Já no período de março de 1.997 a março de 1.998, com o apoio da SAMALON – Sociedade Amigos do Museu de Arte de Londrina e Prefeitura Municipal de Londrina, foram feitas readequações estruturais no prédio com o objetivo de melhor ambientar os trabalhos artísticos e curatoriais que viriam a ser apresentados, como a climatização através de ar condicionado, coberturas das paredes de vidro com películas protetoras, sistema de segurança com guardas dispostos 24 horas e instalação de alarmes setoriais, tendo respeitado a arquitetônica com a qual foi concebido inicialmente. Nessa mesma época, seu acervo foi enriquecido com várias obras de arte doadas por artistas de renome nacional e internacional como: Juarez Machado, Caciporé, Poty Lazaroto, Cláudio Tozzi, Francisco Stockinger, Aldemir Martins, Servulo Esmeraldo e Enrico Bianco, entre outros.

Atendimento ao público:
De 2ª a 6ª: 9h às 18h
Sábados: 8h às 13h
Entrada gratuita
 

FONTE:

Museu de Arte de Londrina – MAL

ABRAMO, Maria A.; MUSILLI, Célia. Londrina puxa o fio da memória. Joinville: Letradágua, 2004.

CASTELNOU, Antonio. Arquitetura londrinense: expressões de intenção pioneira. Londrina: Atrito Art, 2002.

SUZUKI, Juliana. Artigas e Cascaldi – Arquitetura em Londrina. São Paulo: Ateliê, 2003.

http://www.patrimoniocultural.pr.gov.br